Pais & Filhos – Quando o amor não flui

O que faz darmos certo na vida? Descubra através das Constelações Familiares.

Todos nós, não importa a idade, a profissão, o sexo, buscamos na vida a felicidade. Mas só nos sentimos realmente felizes quando o sucesso profissional e pessoal andam lado a lado.

Problemas todos nós temos e isso pode ser explicado porque afinal de contas não somos seres perfeitos, mas e quando esses problemas nos perseguem durante a vida?

Muitas vezes nos sentimos reféns de determinadas situações; presos a hábitos, costumes e idéias que em alguns momentos não parecem ser verdadeiramente nossos. É a mulher que não consegue ser feliz em seus relacionamentos amorosos, o pai que por mais amor que tenha não consegue se entender com os filhos, enfim, poderíamos listar vários deles.

“Geralmente o fim de um casamento não se dá pela falta de amor entre o casal, mas sim por problemas que aconteceram ou acontecem com seus familiares e que os mantém presos à família. Costumo dizer que quando nos casamos formamos uma nova família e essa passa a ser mais importante, o fato de marido ou mulher não conseguir se afastar do problema dos pais, irmãos, pode acabar com um casamento, sem que eles percebam.”, defende a terapeuta e pedagoga alemã, residente no Brasil há 5 anos, Cornélia Benesch.

Cornélia trabalha com as “Constelações Familiares” que foram sistematizadas pelo filósofo e terapeuta alemão, Bert Hellinger. Observando seus pacientes em terapias individuais, familiares ou em grupo ele chegou à conclusão de que os problemas que não conseguimos resolver e que geralmente nos impedem de viver e expressar nossa essência e individualidade têm suas raízes em situações mal resolvidas entre nossos pais, avós ou outros ancestrais. Hellinger chama a maioria desses problemas emaranhamentos e esse Movimento Filosófico Humano se manifestou com o nome de Constelações Familiares. A Constelação busca em primeiro lugar restabelecer o fluxo do amor entre pai, mãe e irmãos, para assim poder resolver o problema em questão.

Atualmente, Cornélia Benesch desenvolve o trabalho de Constelações Familiares no Magma Núcleo Terapêutico, localizado na Vila Madalena, e no Espaço Kaizen, no Alto da Boa Vista.

Cornélia é membro da Diretoria da Associação Brasileira de Constelações Sistêmicas – ABC Sistemas. Na Alemanha formou-se em Programação Neurolinguística como treinadora.

Pergunta – Em primeiro lugar o que são exatamente as Constelações Familiares?

Cornélia Benesch – As Constelações Familiares também podem ser chamadas de Constelações Sistêmicas ou Constelações Organizacionais.

Trata-se de um método bastante eficiente em curto espaço de tempo. Frequentemente, nossa opinião ou a nossa percepção sobre algum problema que enfrentamos são limitadas. Numa Constelação colocamos a nossa imagem interna para fora, constelando as pessoas ou assuntos envolvidos no espaço e seguindo a nossa intuição. Assim, quase sempre surge algo além da consciência desta pessoa.

O primeiro passo do terapeuta, que também pode ser chamado de facilitador ou constelador, é chegar a um diagnóstico bem eficiente. Após detectar onde está a raiz do problema, ele encaminha a Constelação sem julgamentos, mas considerando certas regras para solução.

Observando a vida percebemos que algumas regras devem ser seguidas, para que possamos deixar o amor fluir, como por exemplo: os pais são grandes e os filhos pequenos, ou seja, os pais estão aqui para cuidar dos filhos e não o contrário. Quando um filho decide assumir o lugar de pai, por exemplo, após a separação do casal, isso pode lhe causar grandes transtornos.

Pergunta – Por que você decidiu estudar as Constelações?

C.B – Conheci o método em 1998, na Alemanha, e fiquei fascinada desde o primeiro momento. Percebi que é um método poderoso, simples e muito humano. Se uma pessoa chega carregando qualquer peso e quer se libertar disso, ela consegue. Depois de uma Constelação a vida muda. Costumo comparar as mudanças da Constelação como quando entramos na Universidade ou nos casamos. A vida sofre uma transformação.
A pessoa sai com muita força. Me apaixonei.

Pergunta – Em que casos ela é indicada?

C.B – Quando pessoas, empresas ou grupos têm problemas que não conseguem resolver, mesmo tentando várias vezes. Ela é indicada em problemas que aparentemente não têm solução.

Pergunta – De que maneira fatos que ocorreram com nossos familiares influenciam em nossa vida?

C.B – Sem ter consciência disso, temos um vínculo, uma ligação muito forte com a nossa família de origem e os nossos antepassados. Estamos profundamente ligados aos fatos bons, felizes mas também aos fatos maus, pesados.

Através de experiências percebemos, em primeiro lugar foi o Bert Hellinger, mas depois milhares de Consteladores, que os descendentes, sem saber disso, “pagam” para fatos não resolvidos pelos antepassados.

Posso citar um exemplo: Se em uma família a filha mais nova não se casou por ter cuidado dos pais velhos, e com isso acabou sendo deixada de lado pelos irmãos e pela família de uma maneira geral, é muito comum que uma das filhas desses irmãos acabe se sentido como a tia e fique solteira, sem saber de onde vem a tristeza que a acompanha ou a falta de sorte no amor. Num caso como esse a Constelação detecta a raiz do problema e mostra ao cliente a solução.

Pergunta – Existe alguma relação entre a Constelação e a terapia convencional?

C.B – As duas têm como objetivo de fortalecer o cliente.

Na terapia convencional, o cliente é chamado como paciente e o paciente, começando uma terapia, entra num relacionamento com o terapeuta, tal como que o terapeuta é o grande e o paciente o pequeno, como pais com o filho.

Na Constelação Familiar, não se cria um relacionamento de dependência entre o facilitador e o cliente. O Constelador está durante o tempo da constelação a serviço do cliente, evidenciando a dinâmica real por trás de um problema, depois lidando para solução e tudo isto fica na responsabilidade do cliente.

Podemos dizer que a Constelação Familiar nasceu de alguns fatores:

1. o conhecimento das terapias convencionais sobretudo da terapia familiar segundo Virginia Satir, o psicodrama…
2. filosofia

3. leis básicas das religiões

Pergunta – Uma pessoa que já faz terapia pode realizar a Constelação? Houve algum caso em que você realizou um trabalho em conjunto com um psicólogo?

C.B – Sim, em muitos casos. Em São Paulo realizo um trabalho no Magma, na Vila Madalena. Os terapeutas que lá atendem já aconselharam muitos pacientes a fazer uma Constelação. A Constelação evidenciou algo muito importante para os clientes que depois disso passaram a trabalhar essa questão com seus terapeutas.

Pergunta – Como é o atendimento da Constelação?

C.B – Alguém que quer fazer uma Constelação precisa de uma questão, de um problema que ainda não conseguiu resolver.

No caso do workshop assim que o cliente coloca a questão, escolhe dentro do grupo àqueles que irão representá-lo e representar os familiares envolvidos no problema.

Em seguida ele posiciona as pessoas e passa a ser expectador da sua questão. Os representantes passam a sentir a “energia” daquela pessoa que estão representando. Ele pode falar que sente alegria, tristeza, aperto no coração… Dessa maneira vamos chegando ao diagnóstico da questão.

Depois da diagnosticado o problema, o cliente acompanha o caminho para a solução. Assim que a imagem da solução está visível, freqüentemente o cliente entra na Constelação e vai ficar no lugar do seu próprio representante. O que importa é que o cliente saia com a imagem de solução que depois vai atuar nele.

Pergunta – Existe uma explicação para o fato daqueles que participam representando sentirem emoções, sem nunca terem conhecido as pessoas que estão representando e o próprio cliente?

C.B – Uma explicação cientifica não tem. Rupert Sheldrake um cientista inglês, acha que a nossa volta existe um campo com informações. Ele o chama: “campo morphogenético”. Esse campo é chamado também “campo de saber”. As pessoas trabalhando com Constelação sabem que existe um campo de saber, percebendo-o e experimentando-o.
Parece ser o mesmo campo que nos deixa saber quem está do outro lado da linha quando o telefone toca, antes mesmo de atendermos.

Pergunta – De que maneira a Constelação atua na vida da pessoa que expôs sua questão?

C. B – Muda tudo, ela deixa a pessoa com mais força para sua vida.

Pergunta – Como funcionam os seus workshops?

C.B – Nos workshops participam várias pessoas que querem colocar a sua questão e outras que apenas querem ser representantes, para conhecer o trabalho.

Aquele que colocou um problema, também atua como representante em outras Constelações. Durante um workshop os participantes vão conhecendo algumas regras ou ordens que facilitam os relacionamentos e a vida. Assim vão perceber a filosofia por trás do método de Constelações Familiares, Sistêmicas ou Organizacionais.

Cornelia Benesch

Master Coach em Constelações Sistêmicas & Organizazionais pelo International Association of Coaching-Institutes (EUA), ECA – European Coaching Association (Alemanha/ Suiça), GCC – Global Coaching Community (Alemanha/Inglaterra) e METAFORUM INTERNATIONAL (Itália/Alemanha). Master Trainer PNL (Programação Neurolingüística) & Dialogue Process com Certificação Internacional International Association of Coaching Institutes (EUA), DVNLP (Alemanha) e IANLP (Suiça).

Psicoterapeuta e Pedagoga pela Universität Münster da Alemanha. Possui 25 anos de trabalho como consteladora, consultora, diretora e treinadora (BRA-ALE). Formação e Especialização em Constelações Sistêmicas desde 1997 diretamente com Bert Hellinger,

Membro da Equipe Internacional de Trainers do Metaforum Internacional e Global Coaching Community.

Entrevista realizada por Adriana Franco

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